Colocar legenda em videoaula e considerar a acessibilidade resolvida é um erro mais comum do que deveria. Para uma parte significativa da comunidade surda brasileira, a primeira língua é a Libras, e o português escrito é segunda língua. Legenda ajuda, mas sozinha não garante aprendizado.
A janela de Libras bem resolvida
O recurso central é a janela de intérprete, e ela tem regra: a NBR 15290 orienta proporções mínimas, posição estável e contraste entre o intérprete e o fundo. Na composição, eu reservo o espaço da janela desde o desenho da aula, em vez de espremer o intérprete sobre um slide cheio de texto depois de tudo pronto. Recorte limpo, fundo neutro e iluminação uniforme na gravação do intérprete fazem mais pela legibilidade do que qualquer ajuste de pós.
Legenda continua entrando, e com critério
A legenda permanece no pacote, sincronizada com folga de leitura e registrando os sons que importam para o conteúdo. Em contexto educacional, também reviso o vocabulário: termo técnico que aparece falado precisa aparecer escrito idêntico no material de apoio, senão o estudante persegue duas grafias do mesmo conceito.
O que aprendi produzindo esse tipo de material é que acessibilidade em EAD não é uma camada aplicada no final; é uma decisão de desenho de aula. Quando a equipe pedagógica, o intérprete e o editor conversam antes da gravação, o resultado custa quase o mesmo e entrega uma experiência incomparavelmente melhor.