É comum cliente chegar pedindo "acessibilidade no vídeo" achando que se trata de uma coisa só. Não é. Closed Caption e audiodescrição atendem públicos diferentes, resolvem problemas diferentes e são produzidos de formas completamente diferentes. Confundir os dois costuma sair caro.
O que cada recurso faz
O Closed Caption (CC) é a legenda pensada para pessoas surdas ou com baixa audição. Além da fala, ela registra sons relevantes: porta batendo, telefone tocando, música tensa subindo. Já a audiodescrição (AD) é uma narração adicional que descreve o que está na tela para pessoas cegas ou com baixa visão, encaixada nos intervalos de silêncio do áudio original.
O que as normas pedem
No Brasil, a ABNT NBR 15290 trata da acessibilidade em comunicação na televisão, e a NBR 16452 define as diretrizes específicas para a audiodescrição. Somam-se a elas as exigências da ANCINE para o cinema e os critérios da WCAG quando o vídeo vive na web. Quem produz para órgão público ou para o setor de saúde, como é o meu caso com frequência, precisa tratar essas referências como requisito de projeto, não como acabamento.
Como planejo os dois em produção
Minha regra prática: o CC entra no cronograma junto com a edição, porque depende só do conteúdo travado. A AD entra depois do corte final, porque qualquer mudança de timing derruba o roteiro de descrição inteiro. Orçar os dois desde o briefing evita a pior situação possível: descobrir na véspera da entrega que o vídeo institucional não pode ir ao ar por falta de um recurso que ninguém previu.