O vídeo pode ter legenda impecável e audiodescrição de primeira, mas se o usuário não consegue apertar o play, nada disso chega a ele. Interface de player é a porta de entrada da acessibilidade audiovisual, e é impressionante quantas portas por aí estão trancadas sem ninguém perceber.
Os quatro fundamentos de um player inclusivo
Primeiro, contraste: controles e ícones precisam ser distinguíveis sobre qualquer frame do vídeo, o que na prática pede um fundo próprio atrás da barra em vez de ícones flutuando sobre a imagem. Segundo, foco visível: quem navega por teclado precisa ver onde está, com indicador de foco evidente em cada controle. Terceiro, operação completa por teclado, do play ao volume, passando pela ativação de legenda. Quarto, rótulos corretos para leitores de tela, para que o botão anuncie o que faz e o estado em que está.
Legenda que o usuário controla
Um degrau acima está a customização: permitir que a pessoa ajuste tamanho, cor e fundo da legenda. Para usuários com baixa visão, essa flexibilidade frequentemente decide entre conseguir e não conseguir acompanhar. É um recurso que os players nativos das grandes plataformas já oferecem e que projetos institucionais quase sempre esquecem de exigir.
Ao avaliar acessibilidade de um site com acervo audiovisual, comecei a testar o player antes do conteúdo, só com teclado e depois com leitor de tela. É um teste de dez minutos que revela mais sobre o compromisso real do projeto com inclusão do que qualquer selo na página inicial.